Marcos Bulhões

O que a gente faz com o sentimento que fica?

Foram noites inesquecíveis, sessões de cinema memoráveis (embora não lembre da metade dos filmes, me lembro dos beijos), almoços em família, tardes de chuva onde um cobertor abrigou a nossa história, e através de tudo isso fui construindo em mim uma galeria de momentos especiais, a exposição era gratuita, bastava alguém olhar em meus olhos e facilmente encontraria você.
Mas de repente você decidiu partir e todo aquele castelo veio a baixo, o mundo caiu sobre minha cabeça e a minha galeria foi confiscada. Você se foi, talvez pela insegurança, por medo do amanhã, por outro alguém…

Vai ser difícil essa história de desconhecer você, de ter que pensar em um outro caminho para não te encontrar, e lutar para não pensar que você está com outro alguém, ouvindo nossas músicas, contando suas histórias de escola. Vai ser difícil! Te olhar e, ao invés de, me atirar em seus braços e te dar um beijo, eu ter de engolir a seco todo o impulso do meu corpo e o desejo do meu coração.

Você foi, mas esqueceu a saudade, esqueceu o seu filme preferido, seu perfume e o jeito e beijar que só nós tínhamos.

A gente tenta enterrar, mas de madrugada ele brota, tenta afogar, mas ele sabe nadar, tento esquecer, mas ai já estou lembrando.

Cheguei à conclusão que o melhor a fazer é manter esse sentimento que fica na galeria das memórias, e relembrar os bons momentos, guardar com carinho tudo que a gente viveu, pois embora essa galeria já não esteja em exposição no meu olhar, confesso que de vez em quando passo lá, para tirar uma poeira daqui, passar um verniz ali…

Você se foi, mas está guardado no melhor lugar do coração: a sala da gratidão.

Marcos Bulhões