Jey Leonardo

Sou eu, a saudade

Sou eu, a saudade
Pura e completa
Ela que me forra o estômago
E põe confortáveis meus pensamentos

Sou eu, a saudade
Quente e tenra
Dá-me mais idade que permitem os anos
E sossega alguns antigos tormentos

Saudade
De ontem e de dias que ficaram um tanto mais longe
Da blusa furadinha e confortável e também daquela viagem
Do professor do fundamental e de uma amiga que há muito vi
De anedotas do meu bisa e da caneca preferida que perdi

Eu me chamo saudade
Pseudônimo que se encrava na minha pele queimada de muitos sóis
No meu jeito manso de olhar o que o futuro reserva pra nós
Na calma que toca cambaleante, porém confiante o meu caminhar

Saudade
Prostra-me sobre o passado com o peito semicerrado
De modo que ele nunca se farta
E deixa por ali respirar os bons dias que vivi
Enquanto gratidão de minhas veias escapa

Gosto de ser eu a saudade
Dá sentido às pessoas que passaram
Fé naquelas que vieram
E valor àquelas que ficaram.

Eden Picão