Jey Leonardo

Sou cada impulso meu

Sempre fui assim. Meio de agir mais e pensar menos, sabe? Do tipo que bota fogo no mundo e só depois pergunta o porquê. Mas também do tipo que abraça ao primeiro sinal de choro e só depois questiona o motivo. Sorrio feliz e só depois me pergunto “eu conheço essa pessoa?”. É o que eu sou: impulso!

Nem sempre ser impulsivo é bom. Digo, minha mãe não gostou muito de ter que apressar o parto, mas é que me deu na telha conhecer o mundo logo, e eu sou ávido por novas experiências. Meus antigos chefes também não gostaram muito das vezes que me demiti, mas é que eu não me sentia completo nos empregos anteriores, sabe?. Minhas ex namoradas me odeiam até hoje pelos términos repentinos, mas o que eu podia fazer se elas reclamavam até da impulsividade do meu beijo?

É que ser assim me faz bem. Seguir meu instinto, minha sintonia. É o que me faz ser natural e viver bem comigo mesmo. É faísca que vem do cérebro, sensações químicas que desembocam no coração. É emoção e nada mais. Devo ser condenado por isso? Desde quando se condena alguém por ser o que se é? Admito que já fiz algumas besteiras também por puro impulso mal pensado. Uma palavra não muito bem colocada, uma ideia estúpida (como quando passei tinta loira no meu cabelo. É, eu sei… não foi lá minha melhor escolha…).

Nem adianta brigar comigo ou tentar me mudar. Posso pedir desculpas mil vezes por ter agido por impulso. E algumas das vezes eu realmente lamento. Mas sei que vai acontecer de novo. Faz parte de mim. Todas as coisas que fiz, falei, pensei. Todos esses impulsos foi o que me trouxe até aqui. E tenho orgulho do que eu sou. Eu errei e acertei escutando esses pulsos do meu coração. Mas valeu a pena cada lágrima e cada sorriso. Até porque, tudo vale a pena se a alma não é pequena, como diz o poeta. E minha alma é puro impulso pela vida.

Noyuke Silva