Jey Leonardo

Somos migalhas de universo, poeiras de estrelas

Os corpos celestes que apontamos na amplidão do firmamento
Brilham incessantes e delicados na ponta de nossos dedos
Todo planeta habitável que nunca encontraremos
Gravita entre espaços de nossos corpos em segredo
Os anéis congelados e fascinantes de Saturno
Orbitam também o centro de nosso plexo solar
O inexplicável estalar das supernovas
Explodem e embalam o compasso de nossos corações
A mística essência da lua e suas fases
Eleva as marés de nossas almas

Porque tem-se um sol pra cada ser
Tem-se em cada ser um terno sol
Somos migalhas de universo, poeiras de estrelas
E as notas de cores que pintam nossas peles e nossos olhos
Circundaram primeiro alguma incerta galáxia distante
Cada gota de sangue e suor que acalenta nossa vida
Transcorreu antes um meteoro que em boa sorte nos atingiu
Cada átomo que hoje me perfaz, esteve um dia no céu, esteve um dia em você
Todas as partículas que são os outros, também são tu, também são eu

Somos de tudo que é possível, um só instante
Somos a comum mesmíssima coisa inconstante
Somos todos o um
Que logo mais não mais será
Somos a morada efêmera que o cosmo ousou habitar
E logo mais também não mais estará

Mas somos. Nesta corrida hora, somos
O maior do júbilos celestes em harmonia com tudo que é eterno
O intrigante sentido da vida que entender nós todos queremos
O cheio e o nada

Somos, sim, a inexplicável vastidão do todo na pequenez humana de um pensamento.

Eden Picão