Jey Leonardo

Resiliente é minha alma, vitoriosa é minha luta

Resiliência. Palavra estranha de significado complexo. Rima com resistência. Mas com carência também. Resiliência é a capacidade de um material para, quando deformado, voltar ao seu estado natural. Palavra da área de exatas a qual conheço muito bem. Não por estudar a resiliência que materiais possuem ou suas capacidades elásticas ou plásticas. Conheço-a bem por ter nascido com ela impregnada em meu DNA. Está no sangue, corre nas veias e o coração bombeia. A cabeça pensa, racionaliza e se reprograma. Resiliente é o material do qual minha alma é feita.

Cair é ato natural. Até o os mais belos anjos caem. Mas ascender ao estado natural de pura luz, isso só para os resilientes. A vida nos bate de diversas formas. O amor da sua vida que te decepciona. O melhor amigo que te abandona (sempre quando mais se precisa). As despedidas, as lágrimas. O adeus sem esperança de reencontro. O emprego insatisfeito que te joga na cara toda manhã o quanto sua vida é fracassada. As aulas do curso que está fazendo por pura obrigação. As insatisfações de cada dia nos dai hoje.

Apanhar, se frustrar, cair. Palavras que mostram que ainda está vivo. E então, o outro lado da moeda que sempre gira.

Levantar de cabeça erguida apesar da dor. Reconhecer a luz, ainda que longínqua, mesmo quando a vida te obriga a abaixar a cabeça. Saber no fundo da sua alma que você foi feito para ascender aos céus. Entender que é a mais brilhante luz que produz a mais profunda sombra. Ter a certeza de que a queda é o presságio da ascensão.

E minha alma sempre soube que fora tecido com fios resilientes o suficiente para nunca se desmanchar sob contato das pancadas da vida.

Meu coração, machucado tantas vezes, sempre voltou ao seu estado de paixão constate. Minha autoestima, estilhaçada algumas vezes, sempre levantou de cabeça erguida e orgulho em ser o que se é. Meus pensamentos, tão tempestuosos e caóticos, sempre provaram a velha sabedoria de que a tempestade precede a calmaria. Meus olhos, que já verteram tantas lagrimas, sempre voltaram a sorrir de alegria.

A vida é assim. Te exige o máximo, não só para que você mostre que sabe lutar, mas, muitas vezes, para que mostre que sabe levantar. Já dizia um antigo mestre que, mais importante do que bater mais forte, é saber cair e levantar para poder bater de novo. A vida é mais ou menos como uma luta de boxe onde levantar é questão de sobrevivência. Ser resiliente é ter a certeza de que sempre ganhará a luta no final.

Noyuke Silva