Brendow H. Godoi

Pra sempre fui acorrentado em seu calcanhar

Há meros devaneios tolos a me torturar. No peito, fotografias recortadas de nós dois, enquanto jornais de folhas amiúde estampam a minha saudade em manchetes mal escritas.

Há meros devaneios tolos a me torturar, enquanto eu luto pra esquecer a curva de um sorriso, enquanto eu tento arrebentar a machadadas esse cordão umbilical que nos unia.

Não adianta esperar um telefonema, ou um poema de desculpas entregue pelo motoboy, ou que a pessoa acorde doidamente apaixonada por nós. Em despedidas, não há espaço para alimentar esperanças: ou você segue em frente, ou se torna um parasita que sobrevive das migalhas mal dadas do amor do outro.

Acorrentado num calcanhar, sujando-se por fumar apenas um cigarro, gastando batom por um beijo que não encaixa mais. Quem quer, dá um jeito. Quem não quer, dá desculpa. Quanto ao plano dos confetes, meu bem? Já passou o meu carnaval. No mais, estou indo embora…

Brendow Godoi