Jey Leonardo

Por amor, eu te peço: fica

A música adentrou meus ouvidos. Peço a você essa canção. Peço que me leie.

Esse pranto imediato advém de um não ter. Assim, rogo para que se conscientize de mim sem tu e venha… aos meus braços com sua absorbância do luar e seu sorriso ao alvorecer. A noite, peço que venha. Vamos inundar nossas constelações, fazer chover estrelas, gozar gargalhadas bem ditas, sorrir mares de órions e saturnos. Nesses nossos palavreados de meia-noite, que transbordam amor, encontro o sufoco rouco abafado de grave. Venha se perder em mim nessa noite: se acalenta em meu peito, aconchegue-se, afague-se, deixa então seus braços me envolverem e as lágrimas caíres, deixa seus pensamentos flutuarem para que eu os cuide como se bolhas de sabão. As sonolências beliscam nossos corações em confluência de espíritos jovens bailando à calma melodia da vida. Num instante, melancolia.

Peço pra você pedir pra mim parte do meu peito. Peço, porque toda essa minha insegurança de não te ter ao meu lado seja resolvida com seu pedido claro. Peça, para o meu alívio e minha entrega completa. Minhas falanges distais tocam teu mediastino como se num transporte de energias luminosas no quadro de Michelangelo. Sou polpa digital acariciando seu rosto numa criação divina de Adão, aproximo, inconsciente, deliro. Assim, fragmentos incompletos maculados dispersam entretanto não se soltam de mim. Se encrustam valores morais na lascívia da sua gentileza e, esses, me fazem perdem os prazos antes determinados para mim. Sou teu, és minha? Peça-me. Encerremos nossos preços sem expiração de nossos aprazimentos tão indignos de enxurradas de mares nessas tempestades castanhas. Peça-me a mim. Eu deixo com uma intransigência altiva na pronúncia.
Eu te amo. Engoli a seco sozinho. Gritei à minha mente. Convulsionei.

Prazenteei você em silêncio na formalidade de uma masmorra sufocando minhas costelas. Presenteei você com minhas palavras prendidas entre minhas grades de incisivos laterais e centrais. Minha boca se abriu, pisquei, asfixiei-me e levei-me a uma hipóxia distinta de colabamento literário.

Em resposta, encarcerei-me em ti. Veio a mim úmeros belos com olécranos únicos e deltoideos bem definidos. No colo, a caixa torácica era pequena para tanto amor que estava fluindo em psicodelia rósea, azul, amarela. Éramos balões de gás Helio e ascendíamos a um nível de plenitude por Deus.

Prendi-me no teu abraço favorecido de júbilo pelo seu pedido tão intrínseco no seu lábio inferior em toque com o meu. Fomos batizados por salivas de uva verde paladarmente nas nossas papilas gustativas em conjunção. Em comunhão.

E se não pede, eu a peço. Meu par. Dê-me parte do seu peito?
E mais ainda, além do peito. Venha a mim e faça-se real abstração em realização. Por amor.

Noyuke Silva