Jey Leonardo

O que importa é o que sinto. Se sinto, vivo

Você pisa nos cacos dos vidros
Anda naturalmente
Fazendo barulho
Cheiro de intruso no ar sempre que chegas,
O coração para por alguns milésimos
Tempo recorde mundial de quase morte,
A pele sente o corte do perfume dançando no ar.

O sangue já não sabe o que bombear
Se perde entre a dopamina e a endorfina
Na adrenalina de se proteger enquanto ousa escutar
A voz vazia de sentido
Timbre tímido de um oceano inteiro
Que se perde no momento em que eu paro de pensar.

Já não há mais ninguém ali,
Esqueço as crises políticas
Os mortos por religião
A África e o mundo da ambição.
Nao sou hipócrita,
Quando me toca
Só sinto o peso do teu coração
Batendo acelerado, vejo nas suas pupilas
Que também sou droga que te vicia aos poucos
E quando se vê, o próximo passo é a eternidade,
A raridade de nunca mais saber
Quando se deve tentar ou quando se deve viver.

Tudo derrete no tempo que nem sequer existe,
O espaço se dobra e se quebra na ponta de cada toque
É nota suave, puro rock
Seria soneto se não fosse a rima pobre.

Mas tudo bem,
Se o poema é livre das regras desse mundo falido,
O que importa são os nossos sentidos.

Pode me conduzir nas licenças poéticas
Ou aritméticas
Que bem entender,
Basta olhar nos meus olhos e me prometer
Que o jogo só acaba quando os dois vencer.

Noyuke Silva

Instagram: @entrenoys