Jey Leonardo

Me devo o direito de ser quem sou, o dever de ser verdadeiramente feliz

Uma criança com um livro na mão,
Dizia à mãe que queria ser “escrevedora”.
Esse simples ato fez meu mundo parar.

Pela primeira vez, diante daquela mulher cheia de problemas e frustrações,
aquela criança com todos os sonhos nas mãos, me fez pensar em mim, nas
oportunidades que perdi por estar atada a terninhos caros.
Então me dirigi à janela daquele escritório para ver a luz do dia e me
lembrar do que um dia eu quis.
De todos os dias que perdi tentando fazer os outros felizes.
Tomei minha decisão.

Arrumei as malas durante duas noites seguidas.
Às escuras.
Às escondidas.
E parti no meio da noite.
Assim mesmo, bem furtivamente.

As regras eram demais.
A pressão para que eu me tornasse quem não sou, me sufocaram até não
poder mais.
Resolvi deixar um bilhete debaixo da garrafa de café.

Eu os amo e eles sabem disso, só não conseguem me compreender.
Assim, resolvi me amar primeiro.
Decidi tomar as rédeas da minha vida e partir junto à obrigação de ser feliz.

Não era mais certo viver a vida que eles planejaram, mas que não me
pertencia.
Não era mais justo matar meus sorrisos por agradá-los.

Nunca fui ternos, prédios e formalidades.
Eu sou letras mescladas a poesias.
Sou sorrisos ao pôr do sol e cachoeiras.

Sinto muito partir.
Partir corações e despedaçar sonhos que não são meus.
Mas eu mereço minha felicidade e ela se encontra apenas em minhas mãos.

Então, nesta noite, eu saio por esta porta disposta a cuidar de mim.
Mesmo que não saiba por onde começar, a luz de cada pôr do sol valerá a
pena,
Porque me devo o direito de ser quem realmente sou,
O dever de ser verdadeiramente feliz.

Grazielle Scharenberg