Marcos Bulhões

Mataram a saudade

Em um vilarejo foram encontrados mortos alguns amantes, cuja suas amadas haviam partido. Durante um bom tempo acreditou-se na possibilidade de suicídio, mas tal possibilidade logo fora descartada. Isso porque as mortes continuaram, agora com requintes de crueldade.

Conta-se que um padeiro do vilarejo havia sido atacado por mal semelhante, após seguidas crises em seu casamento, sua mulher o deixou, e em poucos dias o encontraram mutilado, cerrado pelo meio! Um crime horrível! Dizem os moradores que enquanto metade do padeiro estava em seu quarto repleto de sangue e entranhas, a outra parte estava com a mulher amada.

A policia cada vez mais fechava o cerco, mas nada que impedisse que os crimes continuassem, um barbeiro foi morto congelado após a partida de sua noiva, um carpinteiro de vinte anos foi achado morto, decapitado depois que perdera a namorada e por fim foram encontrados restos mortais de um escritor cuja pericia constatou que fora enterrado vivo.

Esse horror teve fim quando a policia descobriu que o assassino do vilarejo era a saudade! Uma criança criada no vilarejo desde pequena e que brincava com todos, trazendo assim mais vida aos pequenos sentimentos que comportavam aquele lugar, mas que ao se deparar com tantas partidas, surtou e entrou em um caminho de sangue, crimes e morte.

A Saudade confessou tudo! Disse que partiu o padeiro no meio, que havia congelado o barbeiro e que fizera o jovem carpinteiro perder a cabeça. Por fim, com um ar fúnebre e nostálgico confessou seu pior crime, disse que enterrou o escritor, e que dia após dia passava por lá e o perfurava, fazendo com que este morresse um pouco a cada dia.

Após a confissão do crime, a saudade foi condenada à forca! O delegado trêmulo, leu a sentença, se pronunciou sobre os crimes e ordenou o enforcamento. Após debater o corpo rígido e robusto, ela expirou… E com um nó na garganta mataram a saudade.

Marcos Bulhões