Jey Leonardo

Ela sabe fazer tempestade, mas também é verão

Ela não é o tipo de pessoa que você possa simplificar ou generalizar. Ela não faz parte da multidão, embora algumas vezes esteja no meio dela. É como alienígena caminhando disfarçada. É chorona, mas sabe como ninguém ficar de cara amarrada. E como me dói ver ela triste ou decepcionada. Plantaria girassóis em pleno sistema solar. Instalaria um império no universo e chamaria de nosso lar. Roubaria galáxias, criaria constelações. Faria de tudo pra não vê-la triste. Deixaria de sonhar…

Ela é “sim” em dia de chuva e “não” em dia de sol. Ela é sorriso lunar, doce feito cookie de gotas de chocolate. Ela é susto em filme de terror com risada depois. Ela é pipoca de manteiga e bala de goma misturada. Ela faz tudo de muito pouco. E é o que falta pra qualquer nada. Já foi muito confusa, agora só um pouco ansiosa. Louca, é sem dúvida, mas que loucura gostosa. Pensamento ágil apenas depois da soneca da tarde, claro. A pitada de Lispector que tem na alma dá um sabor especial. Não se pode esquecer do suor com gosto de sal. E ela sua, chora e me abraça. Diz que eu sou lindo e me deixa sem graça. Nunca sei como achar um jeito mais enfático de dizer que a amo. São sempre tantos planos…

Ela é senhora. Deusa guerreira. Atena. Estrategista e defensora. É libertária e revolucionária da máquina opressora. É meiga e sorri cadente. É imperfeição perfeita em cada curva de dente. Ela é mordida. É língua e paixão. Sabe fazer tempestade e é de todo coração. Ela é de verdade. E é um mulherão. Ela tem um corpo suave que reluz puro tesão. Ela é o que é. Sempre foi. Não adianta comparar com quem quer que seja. Avó. Mãe. Irmã. Ela é única e merece ser respeitada por isso. É tudo o que o mundo fez dela, como também é tudo quanto fez pro mundo. Ela é acorde suave de guitarra com violino e piano, tudo junto…

É colheita fora de época. Impulso e indecisão. Ela é inverno com neve no tropicalismo da nação. É flor e fruto. É árvore e vida. Ela já foi rascunho. Agora só é poesia. E prosa. Escrita em folhas que queimam sem parar. Ela é fogo brotando da terra em quietude de sofá, filme, chocolate quente. Ela é cacau doce-amargo que estala na boca. Ela é dopamina. Serotonina. Torna cada toque em adrenalina só pra me levar ao limite. Ela é ordem evoluindo em caos. É encostar da eternidade em cada olhar apaixonado. Ela é meu ser amado.

Noyuke Silva